Descrita pela primeira vez em 1935, a Clostridium difficile é uma bactéria anaeróbia obrigatória Gram-positiva formadora de esporos e principal causadora de diarréia durante a permanência hospitalar.

Surtos foram registrados a partir de 2000 nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, causando uma mortalidade de 6,9 a 16,7%. No Brasil esta infecção ainda é subnotificada e não possui dados epidemiológicos concretos. 

A instalação da Clostridium difficile no intestino  é promovida principalmente pelo uso indiscriminado ou combinação de antibióticos de amplo espectro. Os antibióticos podem danificar a microbiota ao remover bactérias protetoras da flora intestinal, propiciando a formação de colônias de Clostridium difficile.

A infecção por Clostridium difficile apresenta elevada resistência à maioria dos antibióticos em razão da inatividade metabólica dos esporos, que não constituem alvo farmacológico ativo desses medicamentos. Além disso, durante a progressão do quadro clínico, ocorre liberação de toxinas capazes de estimular a produção de fator de necrose tumoral e interleucinas, promovendo aumento da permeabilidade vascular e intensa resposta inflamatória. Como consequência, podem surgir lesões no epitélio do cólon, levando à dilatação dessa região, condição denominada megacólon tóxico. Em casos mais graves, a ruptura da mucosa intestinal pode favorecer a disseminação de microrganismos e toxinas para a corrente sanguínea, elevando significativamente o risco de sepse. 

Imunodeprimidos e idosos são os principais acometidos por essas complicações. Em indivíduos saudáveis, comumente, a inflamação gerada não representa grandes riscos e os sintomas são autolimitados. 

Diagnóstico hospitalar e ambulatorial por testes rápidos 

O diagnóstico da infecção por Clostridium difficile é realizado, principalmente, com a combinação de quadro clínico e exames laboratoriais das fezes.

O paciente acometido pela infecção, apresenta diarreia aquosa após uso recente de antibióticos, dor abdominal, febre e, em casos mais graves, sinais de colite. O exame mais utilizado atualmente é a detecção de toxinas A e B nas fezes . 

Há três antígenos que podem ser identificados pelos testes rápidos, GDH (Glutamato Desidrogenase), toxina A e toxina B. Enquanto a toxina A age como quimiocitocina, recrutando e ativando os mediadores inflamatórios, a toxina B tem efeito citotóxico próprio, agindo como citocina. O GDH é um marcador eficaz para CDI, visto que todas as cepas produzem quantidades significativas da enzima.  

Além das toxinas A e B, a pesquisa do antígeno GDH (glutamato desidrogenase) também pode ser empregada, contribuindo assim, para a triagem, seguido da confirmação por toxinas ou PCR.

Embora não seja um exame de rotina, em algumas situações mais graves ou duvidosas, a colonoscopia pode mostrar achados característicos, como placas amareladas aderidas à mucosa (colite pseudomembranosa).

O diagnóstico é realizado através da avaliação clínica do paciente e confirmação por testes convenientes ao ambiente hospitalar. Nesse sentido, os testes rápidos se destacam pela agilidade na entrega de resultados e pela simplicidade de realização. 

Nesse cenário, a Labtest disponibiliza o teste rápido Lab Rapid GDH/ Toxin A and B Ref. 752C.

O teste Lab Rapid GDH/ Toxin A and B utiliza o método de imunocromatografia para detecção qualitativa de antígenos GHD, toxina A e  B da Clostridium difficile em amostras de fezes. O resultado é liberado em 10 minutos, garantindo agilidade no manejo clínico. Com sensibilidade de 95,65 e especificidade de 97,30% garante boa eficiência e performance. 

Referências

SMITS, W. K. et al  Clostridium difficile infection. Nature Journal. 17 abr. 2016. DOI:  10.1038/nrdp.2016.20 

JÚNIOR, M. S. Recentes mudanças da infecção por Clostridium difficile. Einstein, São Paulo, v. 10, n. 1, p. 105-109, 19 set. 2012. DOI: 10.1590/S1679-45082012000100023

CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Sobre C. diff. Atlanta: CDC, 13 abr. 2026. Disponível em: https://www.cdc.gov/c-diff/about/?CDC_AAref_Val=https://www.cdc.gov/cdiff/what-is.html

VOTH, D. E.; BALLARD, J. D. Clostridium difficile Toxins: Mechanism of Action and Role in Disease. Clinical Microbiology Reviews, Washington, D.C. 1 abr. 2005. Disponível em: https://doi.org/10.1128/cmr.18.2.247-263.2005

Labtest. Dados de arquivo.