Influenza e Streptococcus pyogenes: Impacto e Importância do Diagnóstico Rápido
30 abr 2026
Rafaela Mota Andrade
Com a chegada das estações mais frias, como outono e inverno, observa-se aumento significativo na incidência de doenças respiratórias. A redução da temperatura e da umidade relativa do ar favorece a disseminação de agentes infecciosos, tornando a população mais suscetível a infecções como gripe, faringite e outras condições respiratórias.
Dentre os principais agentes etiológicos, destacam-se os vírus Influenza A e B e a bactéria gram-positiva pertencente ao género Streptococcus, beta-hemolítico do grupo A: Streptococcus pyogenes, ambos associados a quadros clínicos de relevância em saúde pública, especialmente durante períodos sazonais.
Influenza: Epidemiologia e Impacto
Os vírus Influenza A e B são responsáveis por infecções respiratórias agudas altamente contagiosas, transmitidas principalmente por gotículas respiratórias eliminadas durante tosse e espirros. Surtos sazonais ocorrem anualmente, com maior incidência nos meses mais frios.
Dados divulgados em abril de 2026 indicam aumento expressivo dos casos no Brasil. De acordo com o Instituto Todos pela Saúde, entre janeiro e meados de março de 2026 foram registrados 3.584 casos de influenza, em comparação a 1.838 casos no mesmo período de 2025, evidenciando uma duplicação dos registros. Nesse mesmo intervalo, o país registrou aproximadamente 14 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com mais de 800 óbitos associados a vírus respiratórios, segundo dados do Ministério da Saúde. Esse cenário reforça a importância das estratégias de vigilância epidemiológica e vacinação.
Streptococcus pyogenes e Infecções Associadas
O Streptococcus pyogenes, também conhecido como estreptococo beta-hemolítico do grupo A, é uma bactéria Gram-positiva responsável por diversas infecções, que variam de quadros leves a manifestações graves.
Entre as principais doenças associadas estão faringite, impetigo e infecções respiratórias, podendo evoluir para complicações como febre reumática, abscesso peritonsilar, endocardite, meningite, sepse puerperal e artrite, especialmente na ausência de tratamento adequado.
A faringite estreptocócica é particularmente relevante em pediatria, sendo responsável por cerca de 15% dos casos de infecção por Streptococcus pyogenes em crianças pequenas e podendo atingir até 40% em crianças em idade escolar e adultos.
Nos últimos anos, tem sido observado um aumento relevante na incidência de infecções causadas por Streptococcus pyogenes, especialmente nas formas invasivas (iGAS), em diversos países. Dados de vigilância do Centers for Disease Control and Prevention indicam que essas infecções atingiram, em 2023, os níveis mais elevados das últimas duas décadas, mantendo uma tendência de crescimento desde 2014. Esse cenário foi intensificado no período pós-pandemia de COVID-19, com aumento significativo de casos graves, hospitalizações e admissões em unidades de terapia intensiva. Além disso, a doença apresenta padrão sazonal bem definido, com maior incidência durante o inverno e início da primavera, frequentemente associada à circulação concomitante de vírus respiratórios, como influenza. Evidências recentes sugerem que as coinfecções podem contribuir para maior gravidade dos quadros clínicos, reforçando a importância do diagnóstico precoce e diferencial no manejo das infecções respiratórias.
Diagnóstico e Importância dos Testes Rápidos
O diagnóstico preciso e oportuno é fundamental para o manejo adequado das infecções respiratórias. Métodos tradicionais para identificação do Streptococcus pyogenes envolvem cultura microbiológica, que pode demandar entre 24 e 48 horas para obtenção de resultados.
Nesse contexto, os testes rápidos surgem como ferramentas importantes, permitindo a detecção qualitativa de antígenos bacterianos em poucos minutos. Além de reduzir o tempo de diagnóstico, esses métodos contribuem para o uso mais racional de antibióticos e para o controle da disseminação de infecções.
Conclusão
As infecções causadas pelos vírus influenza e pelo Streptococcus pyogenes representam importante desafio para a saúde pública, especialmente durante períodos sazonais. O aumento recente de casos reforça a necessidade de vigilância contínua, vacinação e diagnóstico precoce.
A incorporação de testes rápidos no contexto clínico contribui significativamente para a identificação ágil dos agentes etiológicos, permitindo intervenções mais eficazes e reduzindo complicações associadas.
Nesse contexto, a Labtest Diagnóstica disponibiliza em seu portfólio soluções que abrangem tanto a detecção de Streptococcus pyogenes quanto dos vírus influenza. O teste Lab Rapid Strep A Ref. 753C é um método imunocromatográfico capaz de detectar qualitativamente antígenos de estreptococos do grupo A em amostras coletadas por swab de orofaringe ou nasofaringe, fornecendo resultados em aproximadamente 5 minutos, o que favorece a tomada de decisão clínica imediata. Complementarmente, a linha de testes rápidos para infecções respiratórias, REFs: 744 – Influenza A/B/H1N1 Ag Rapid Test Combo, 751 – Lab Rapid RSV e 741- COVID-19 & FLU A/B Ag Rapid Test Combo, permite a identificação ágil dos agentes etiológicos causadores dessas infecções, contribuindo para o diagnóstico diferencial das infecções respiratórias agudas. Essas soluções combinam rapidez, praticidade e confiabilidade, apoiando profissionais de saúde na definição de condutas terapêuticas mais assertivas e no manejo adequado dos pacientes.
Referências Bibliográficas
INSTITUTO TODOS PELA SAÚDE (ITpS). Monitoramento de patógenos respiratórios. Disponível em: https://www.itps.org.br/pesquisa/monitoramento-de-patogenos-respiratorios.
BRASIL. Ministério da Saúde. Boletins epidemiológicos de síndrome respiratória aguda grave. Brasília: Ministério da Saúde, 2026.
CUNNINGHAM, M. W. Pathogenesis of group A streptococcal infections. Clinical Microbiology Reviews, v. 13, n. 3, p. 470–511, 2000.
SHULMAN, S. T. et al. Clinical practice guideline for the diagnosis and management of group A streptococcal pharyngitis. Clinical Infectious Diseases, v. 55, n. 10, p. e86–e102, 2012.
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Group A Streptococcal (GAS) Disease Surveillance. Atlanta: CDC, 2024. Disponível em: https://www.cdc.gov/groupastrep/surv. eillance.html.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Group A streptococcus infections. Geneva: WHO, 2023. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/group-a-streptococcus.
LAMAGNI, T. et al. Resurgence of invasive group A streptococcal disease in Europe, 2022–2023. Eurosurveillance, v. 28, n. 10, 2023.
DAVIES, M. R. et al. Increase in invasive group A streptococcal infections following the COVID-19 pandemic. The Lancet Infectious Diseases, 2023.
