É certo que, desde que a CoronaVac, a AstraZeneca e a Pfizer entraram no nosso país na missão de imunizar a população, o brasileiro pôde sentir alívio – pelo menos um pouco – no que diz respeito a novos passos no combate à pandemia. Mas, tão claro quanto isso, é que ainda falta muito chão para a vacinação contra a COVID-19 no Brasil ser realmente completa.

Especialistas afirmam que, além daqui, o mundo precisa de não apenas uma, mas várias vacinas que funcionem bem. Isso, unido a uma adesão em massa, é que vai imunizar grandes populações em um espaço de tempo menor. Em suma, é o melhor caminho para dar fim à pandemia.

Afinal, a vacinação não é somente uma decisão individual: é um instrumento essencial de saúde pública, mas que só dá certo quando todo mundo se compromete em sua própria responsabilidade e solidariedade. Se cada um entende o papel de proteger a si e ao outro, a sociedade como um todo se protege também.

DADOS SOBRE A VACINAÇÃO DA COVID-19 NO BRASIL

Um levantamento feito junto a Secretaria de Saúde, com data de 25 de maio, aponta que 42.991.742 brasileiros tomaram a primeira dose e 21.214.582 a segunda. Isso equivale a mais de 10% da população. Então, somando a primeira e segunda dose, já são 64.206.324 imunizantes aplicados desde o começo da vacinação, em janeiro.

O Mato Grosso é o estado que mais vacinou com a segunda dose, com quase 13% da população imunizada.

MAIS OPÇÕES DE VACINA EM BREVE?

O professor Flávio Fonseca, Presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, discorreu em um seminário promovido pela UFMG sobre as principais vacinas em desenvolvimento no mundo. Alguns dados coletados na primeira quinzena de maio serviram de base para Flávio afirmar que, até a data da publicação deste texto, existem 41 vacinas em estudo na fase 1, 22 na 2 e 20 na 3; ou seja, etapa em que são realizados testes de eficácia em larga escala antes de licenciar a vacina para uso na população.

Fora essas, há ainda 8 vacinas licenciadas para uso emergencial e 2 para uso pleno. No total, são 93 candidatas que podem se tornar realidade, o que implica em um cenário futuro com várias opções de imunógenos à disposição. Logo, poderemos escolher as melhores de acordo com cada realidade. Inclusive para a vacinação da COVID-19 no Brasil.

Muitas pessoas se assustam com essa suposta rapidez na produção de vacinas, mas esquecem que a ciência evoluiu bastante – e continua evoluindo a cada dia. Portanto, é completamente normal que os laboratórios consigam elaborar imunógenos e insumos com mais agilidade. Um exemplo é a epidemia de Ebola, a mais recente crise de saúde antes do novo coronavírus: a vacina demorou pouco mais de cinco anos para ficar pronta.  

AS MUTAÇÕES DA COVID-19 E O RISCO DA EFICÁCIA DAS VACINAS

Até o momento, podemos ficar tranquilos: as mutações já ocorridas no vírus ainda não são suficientes para torná-lo resistente às vacinas produzidas ou já aplicadas hoje. Porém, se houver um acúmulo dessas mutações, o risco da ineficácia é real.

O ideal é que o Brasil invista em vacinas com fabricação nacional, como a CoronaVac e AstraZeneca, produzidas pelo Instituto Butantan e pela Fiocruz, respectivamente, uma vez que depender totalmente da importação da vacina já implica em atrasos na produção. Além disso, é muito importante desenvolvermos nacionalmente a capacidade de gerar vacinas, especialmente para combater as possíveis variantes que possam surgir no país.  

Ainda com base no webinário da UFMG, o professor e especialista em imunologia Jorge Andrade Pinto, da Faculdade de Medicina, defendeu a segurança das vacinas que temos disponíveis atualmente e enfatizou a relevância de que falamos sobre a imunidade coletiva:  ela só poderá ser alcançada se mais de 70% da população brasileira estiver vacinada com todas as doses.

PERSPECTIVAS PARA A VACINAÇÃO DA COVID-19 NO BRASIL

É claro que a imunização em geral da população mundial iria demorar pelo menos um pouco. Mas, no caso do Brasil, esse tempo está se estendendo. 

Esse atraso se dá por vários fatores. O Brasil aderiu ao programa Covax Facility – aliança mundial contra a COVID-19 apenas entre setembro e outubro do ano passado. Além disso, o baixo número de doses disponíveis e atrasos nas entregas dos insumos para produção das vacinas prejudicam o avanço da vacinação.    

Entretanto, cabe ressaltar que, mesmo diante dos fatores mencionados, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), não tem medido esforços para avaliação das solicitações de uso das vacinas em território nacional, seja para uso emergencial ou registro definitivo. Todas as informações podem ser acompanhadas no site da Agência. 

Portanto, com a conjuntura atual, a melhor estratégia continua sendo imunizar a frente de trabalho na saúde, os grupos de risco e os mais vulneráveis. Isso irá reduzir a morbimortalidade e, consequentemente, desafogar os hospitais. 

QUANDO TODOS ESTARÃO VACINADOS POR AQUI?

Um consórcio de universidades brasileiras criou um consórcio que projeta datas de quando a vacinação da COVID-19 no Brasil será concluída. Se formos considerar os dados coletados do governo federal até a segunda quinzena de maio, a previsão é de que a imunização seja finalizada no final de dezembro de 2022. 

Nesse cálculo, são levados em conta o ritmo de vacinação dos últimos 30 dias (incluindo atualizações de aumento e diminuição), a chegada de novas vacinas e outros critérios que impactam a aplicação do imunizante, como a falta de insumos, número de postos de vacinação e o desejo da população em ser imunizada.

Aqui, nesta página do SUS, é possível ter acesso ao vacinômetro, dados sobre distribuição de seringas e agulhas, painel de medicamentos, casos atualizados da COVID-19 e muito mais.

No dia 26 de maio, mais 629 mil doses da vacina da Pfizer/BioNTech chegaram ao país. Até então, 2,8 milhões das 200 milhões de doses contratadas pelo governo federal já estão em solo brasileiro. Em nota, a Pfizer reafirmou o compromisso para cumprir o cronograma que prevê a entrega dos imunizantes até o final de 2021.Ainda neste ritmo, se mantém a suma importância de todos preservarmos o distanciamento social, usar máscaras, lavar as mãos e evitar aglomerações.